Cenário de redução no recebimento pelas indústrias moageiras preocupa produtores e cerealistas e pode afetar o fluxo de comercialização na região do Xingu
A cadeia produtiva do cacau na região da Transamazônica e do Xingu atravessa um momento de atenção. A redução, e em alguns casos a interrupção, do recebimento do produto por parte das indústrias moageiras vem provocando reflexos diretos para produtores e cerealistas, que enfrentam dificuldades para manter o fluxo normal de comercialização.
Nos últimos dias, mesmo diante da redução das vendas para as indústrias, cerealistas continuaram adquirindo a produção dos agricultores. Com isso, muitas empresas passaram a utilizar recursos próprios para manter as compras e evitar que os efeitos da retração do mercado chegassem imediatamente aos produtores.
O problema é que, sem uma saída garantida para o produto adquirido, os estoques foram se acumulando. A capacidade de armazenamento de algumas cerealistas chegou ao limite, aumentando a preocupação com a continuidade das compras.
Orientação aos produtores
Diante desse cenário, a recomendação é que os produtores, sempre que possível, mantenham o cacau armazenado em suas próprias propriedades, desde que existam condições adequadas de conservação e segurança.
A orientação é evitar o deslocamento da produção para armazéns quando não houver negociação previamente confirmada. A estratégia busca reduzir a concentração de produto nos estoques das cerealistas enquanto a indústria limita o recebimento.
Para os produtores, manter a produção armazenada pode representar uma alternativa para aguardar uma possível melhora nas condições de comercialização. A expectativa do mercado é de que a necessidade futura de matéria-prima e a redução dos estoques industriais possam contribuir para uma retomada gradual das compras e, consequentemente, para melhores condições de preço.
Produtores sentem os efeitos da retração
A situação já provoca frustração entre agricultores que dependem da comercialização do cacau para manter suas atividades.
Um produtor de Uruará relatou sua surpresa diante das dificuldades encontradas atualmente:
“Em mais de vinte anos produzindo cacau nessa região, nunca imaginei um dia ter que voltar para casa com minha produção sem conseguir comercializar. Trouxe 12 sacas e não pude vender e o preço está a R$ 12,00.”
O relato demonstra o impacto direto da redução no recebimento sobre quem está na ponta da cadeia produtiva.
Apesar das dificuldades, a avaliação apresentada é de que o cenário seja temporário. A expectativa é de que, com a redução dos estoques das indústrias e a necessidade de reposição de matéria-prima, o mercado volte gradualmente a ampliar as compras.
Até que isso aconteça, produtores e cerealistas precisam acompanhar atentamente as condições do mercado. Para quem possui estrutura adequada, manter o cacau na propriedade pode ser uma alternativa para evitar a formação de estoques excessivos nos armazéns e aguardar um momento mais favorável para a comercialização.
Na região da Transamazônica e do Xingu, onde o cacau tem papel importante na economia rural, a evolução desse cenário será acompanhada de perto por agricultores, comerciantes e demais integrantes da cadeia produtiva.










.jpg)




