Número
registrado em agosto foi quase o dobro do resultado da edição de 2025;
fiscalizações também encontraram mulheres, crianças, adolescentes e
trabalhadores estrangeiros entre as vítimas
A Operação Resgate VI
reuniu o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho
(MPT), Polícia Federal (PF), Defensoria Pública da União (DPU) e Ministério do
Trabalho e Emprego (MTE).
O
resultado representa um crescimento expressivo em comparação com a edição de
2025, quando 242 trabalhadores
foram retirados dessas condições. Neste ano, portanto, o número ficou próximo
do dobro do registrado na operação anterior.
Para
o coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao
Tráfico de Pessoas do MPT, Luciano Aragão, a quantidade de trabalhadores
encontrados demonstra que a escravidão contemporânea continua sendo um problema
no país e exige a intensificação das ações de enfrentamento.
Mulheres, menores e
estrangeiros estão entre as vítimas
O
balanço da operação mostra diferentes perfis entre os trabalhadores resgatados.
Das 479 pessoas, 75 eram
mulheres e 13 eram crianças ou adolescentes.
Também
foram identificados 68 trabalhadores estrangeiros, provenientes da Argentina,
Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
A
Região Sudeste concentrou a maior quantidade de resgates, com 267 trabalhadores,
dos quais 208 foram encontrados somente em
Minas Gerais.
As
atividades rurais responderam pela maior parcela dos casos: 292 resgates.
Desse total, 216 estavam relacionados à agricultura e ao extrativismo, com
destaque para atividades ligadas às culturas de café, cebola e batata.
Nas
áreas urbanas, a construção civil concentrou 85 trabalhadores resgatados,
enquanto outros nove casos foram identificados no trabalho doméstico.
Mais de mil trabalhadores
estavam sem registro
Além
das situações que resultaram nos resgates, as fiscalizações identificaram 1.192 trabalhadores sem registro
formal.
Durante
a operação, foram emitidos aproximadamente 1.836 autos de infração. Outras 28
atividades foram interditadas ou embargadas após a identificação de riscos
graves à saúde ou à integridade física dos trabalhadores.
Os
empregadores fiscalizados também tiveram de regularizar contratos e realizar o
pagamento de mais de R$
1,4 milhão em direitos trabalhistas e verbas rescisórias.
Ações buscam prevenir novos
casos
Além
das fiscalizações e dos resgates, o Ministério Público do Trabalho desenvolve
estratégias voltadas à prevenção. Entre elas está o projeto Reação em Cadeia,
que busca envolver empresas líderes de cadeias produtivas no monitoramento e na
prevenção de situações de trabalho escravo praticadas por fornecedores.
Outra
frente é o projeto Políticas Públicas, direcionado a municípios com maior
incidência desse tipo de exploração. A iniciativa busca estimular ações
municipais para reduzir a vulnerabilidade social e ampliar oportunidades de
qualificação profissional, diminuindo o risco de trabalhadores voltarem a ser
submetidos a condições semelhantes.
O balanço da Operação
Resgate VI reforça a dimensão de um problema que permanece presente tanto no
campo quanto nas cidades brasileiras e que exige atuação conjunta dos órgãos
públicos na fiscalização, responsabilização e prevenção.









