Denúncias
de possíveis irregularidades na comercialização de cacau estão provocando
preocupação entre produtores rurais da região da Transamazônica e Xingu. O caso
ganhou repercussão após agricultores que afirmam ter descoberto notas fiscais e
volumes de cacau registrados em seus nomes sem conhecimento ou autorização.
Documentos
obtidos por nossa equipe mostram que produtores de Brasil Novo procuraram a
Polícia Civil para registrar as ocorrências. Em um dos boletins, foram
relacionadas nove notas fiscais emitidas em 19 de setembro, que juntas
ultrapassam R$ 339 mil. Segundo o denunciante, as operações não teriam
sido realizadas ou autorizadas por ele.
Outro
elemento apresentado aponta conversas e arquivos de áudio relacionados às
operações. Em uma das mensagens documentadas, um produtor é informado sobre
registros de aproximadamente 2.750 quilos de cacau em uma operação e 2.252
quilos em outra, totalizando mais de cinco toneladas. O questionamento
surgiu porque a produção estimada do agricultor seria de aproximadamente 2,5
toneladas.
Outros
boletins também relatam supostos lançamentos fiscais atribuídos a produtores ao
longo de diferentes períodos. As denúncias levantam suspeitas de possível
utilização indevida de dados cadastrais e CPFs de agricultores para registrar
comercializações que eles afirmam não ter realizado.
O
caso já chegou ao Ministério Público do Estado do Pará. Em nota, a 2ª
Promotoria de Justiça Criminal de Altamira confirmou que acompanha a apuração
de possíveis emissões irregulares de notas fiscais de comercialização de
amêndoas de cacau em nome de produtores rurais sem conhecimento ou autorização.
Segundo
o MP, providências iniciais foram adotadas para coleta de informações e
preservação de elementos probatórios. O órgão mantém contato com a Polícia
Civil e informou que, devido ao estágio inicial das investigações, detalhes das
diligências não serão divulgados neste momento.
Uma
reportagem da Record Altamira, que foi ao ar nesta terça-feira, apresentou as
denúncias como um caso de possível alcance bilionário. Entretanto, não há,
nos documentos oficiais analisados até agora, confirmação do valor total das
supostas irregularidades nem conclusão sobre responsáveis.
As empresas e compradores mencionados nos relatos também não podem ser considerados responsáveis apenas por aparecerem nos registros apresentados pelos denunciantes. Caberá às investigações esclarecer como as notas foram emitidas, quem teve acesso aos dados dos agricultores, qual foi o volume efetivamente comercializado Nossa equipe continuará acompanhando o caso, que atinge diretamente uma das principais atividades econômicas da Transamazônica e do Xingu.

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