O menino de 1 ano e
6 meses está desaparecido desde março e a família segue em busca de respostas
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Novas bucas por José Arthur foram iniciadas, mas a polícia nada encontrou / Fotos: Ronaldo Modesto |
Desde o dia 26 de março, o município de Eldorado do Carajás
acompanha, com angústia e comoção, a investigação em torno do desaparecimento
do pequeno José Arthur, de apenas 1 ano e 6 meses.
Há quase três
meses, a rotina da família se resume a uma pergunta que insiste em permanecer
sem resposta: onde está a criança? Ao longo desse período, as forças de
segurança intensificaram as investigações, incluindo a prisão de dois suspeitos
de envolvimento no caso. Ainda assim, a ausência de respostas concretas
perpetua o sofrimento dos familiares, que seguem agarrados à esperança de
reencontrar o menino.
Na manhã desta
quarta-feira (17), uma nova mobilização reuniu diferentes frentes de força
policial e segurança após o surgimento de informações apontando que o corpo de
José Arthur poderia estar enterrado em uma cova rasa, em uma área de chácara
pertencente a um dos investigados.
As equipes foram aos endereços indicados e iniciaram diligências
em áreas de mata fechada, consideradas de difícil acesso. As buscas ocorreram
em propriedades rurais conhecidas como Fazenda Peruana, também chamada de
Curral, e Fazenda Santa Maria.
O delegado da
Polícia Civil Vanir, responsável pelo caso, acompanhou toda a operação e
explicou que, apesar dos esforços realizados ao longo da manhã, nenhum vestígio
da criança foi localizado. Segundo ele, a complexidade da investigação exige
cautela e trabalho minucioso.
“O Estado não
tem falhado no seu papel de buscar incessantemente a resolução desse caso,
encontrando a criança e responsabilizando os autores desse crime”, afirma. O
delegado ressaltou que um dos principais desafios tem sido a análise do
material apreendido durante as investigações. Somente dos aparelhos celulares
recolhidos, foram extraídos 32 GB de arquivos.
“Foi um trabalho
hercúleo averiguar cada informação de forma detalhada. Parte desse material já
foi encaminhada ao Poder Judiciário, mas não podemos divulgar o conteúdo porque
o processo corre em sigilo”, explica.
Vanir também
revelou que novas tecnologias devem reforçar as buscas. Um drone já foi
disponibilizado para ampliar o mapeamento da área e facilitar a identificação
de pontos suspeitos, além da atuação de cães farejadores nos locais.
HIPÓTESE DESCARTADA
Recentemente,
outra pista levou investigadores até o estado de São Paulo, após a informação
de que uma criança com características semelhantes às de José Arthur teria sido
vista em Mogi das Cruzes. A Polícia Civil paulista foi acionada, imagens foram
analisadas, mas a hipótese acabou descartada.
“A sociedade
quer respostas, e nós também queremos dá-las. Existe uma mobilização real para
isso”, reforça o delegado.
PRISÕES
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Dois homens estão presos por suspeita de envolvimento no desaparecimento do menino Foto: Divulgação |
Em abril, a
Justiça decretou a prisão de Roselândio Castro de Almeida e Evandro Firmino da
Silva, suspeitos de participação no sequestro da criança. Na ocasião, a polícia
ainda não descartava a possibilidade de José Arthur estar vivo.
O advogado da família, Elson Araújo, afirmou que a defesa segue
acompanhando de perto cada diligência e cobrando celeridade nas investigações.
“O intuito da defesa é justamente diligenciar, repassar informações às
autoridades e cobrar providências. Nosso maior objetivo, assim como o da família
e de toda a sociedade, é encontrar José Arthur”, declara.
DESESPERO DA FAMÍLIA
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A mãe da criança, Geiciara, acompanhou os trabalhos |
José Arthur
desapareceu enquanto brincava em frente à casa onde morava, por volta das 17
horas, na Vila Peruana, localizada no Assentamento Lourival Santana. Segundo
familiares, um carro suspeito teria passado pelo local exatamente no momento do
desaparecimento, fortalecendo a hipótese de sequestro.
Desde então, o
tempo parece ter parado para a mãe da criança, Geiciara Souza.
Presente durante as diligências desta quarta-feira, ela
acompanhava cada movimentação em silêncio, observando cada detalhe com a esperança
de, enfim, ter alguma resposta sobre o filho. Com os olhos marejados, Geiciara
resumiu a dor que carrega desde março, que a ausência do menino tornou a vida
irreconhecível.
Entre a
esperança e o desespero, a mãe continua esperando por qualquer informação que
ajude a revelar o paradeiro do filho – ou ao menos traga a resposta que seu
coração, há meses, insiste em buscar.
Por: Ronaldo Modesto
e Kauã Fhillipe
Fonte: Correio
Carajás