Objetivo é debater a reparação de direitos após a construção de Belo Monte. MPF diz que modo de vida das populações não foi levado em consideração.
![]() |
| Ribeirinhos afetados pela hidrelétrica de Belo Monte participam de audiência convocada pelo MPF, em Altamira. (Foto: TV Liberal/ Altamira) |
Centenas de ribeirinhos participam na manhã desta sexta-feira (11) em Altamira, no sudoeste do Pará, de uma audiência pública convocada pelo Ministério Público Federal (MPF) para definir o retorno dos ribeirinhos ao rio Xingu e debater as condições necessárias para a reprodução do modo de vida ribeirinho diante dos impactos causados pela hidrelétrica de Belo Monte. Segundo o MPF, a área teve sua condição ecológica totalmente modificada, o que inviabiliza a manutenção do modo de vida das populações ribeirinhas e indígenas.
A Norte Energia, empresa responsável pela construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, informou ao G1 que participa da audiência com representantes e poderá informar posicionamento específico sobre essa reunião depois da conclusão do evento.
O MPF convidou para a audiência pública as seguintes autoridades e instituições: Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência; Casa Civil e Secretaria de Governo da Presidência da República; Estado do Pará, município de Altamira; Ministério do Meio Ambiente; Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República; Conselho Nacional de Direitos Humanos; Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis; Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade; Fundação Nacional do Índio, Agência Nacional de Energia Elétrica; Agência Nacional de Águas; Secretaria de Patrimônio da União; Concessionária Norte Energia S/A e órgãos representativos das populações tradicionais extrativistas.
O edital que convocou a audiência relata que o licenciamento ambiental não garantiu nenhum programa de mitigação que contemple as mudanças na vida dos ribeirinhos e fala das investigações em curso no MPF, sobre os três grupos de ribeirinhos atingidos por Belo Monte: indígenas e não indígenas da Volta Grande do Xingu e ribeirinhos das ilhas e beiradões.
![]() |
| Foto feita pela equipe de inspeção do MPF em 2015 mostra um barraco de lona, opção encontrada por família ribeirinha como forma de voltar a viver perto do rio. (Foto: Divulgação/ MPF-PA) |
Ainda de acordo com o MPF, as investigações “levam à conclusão de que a implementação da hidrelétrica de Belo Monte vem acompanhada de um processo de expulsão silenciosa das populações ribeirinhas do Rio Xingu e de que os impactos não mitigados merecem efetiva e imediata ação reparatória por parte do governo federal e do concessionário empreendedor”.
















