Decisão
final sobre perda de cargo do magistrado será do Supremo
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| © G. DETTMAR/ CNJ |
Agora,
pelas novas regras, o juiz que comete falta grave é afastado na hora. Ele passa
a receber salário proporcional ao tempo de contribuição. O processo, então, vai
para uma nova análise do CNJ. Se for confirmado, o caso segue para a
Advocacia-Geral da União. É ela quem vai pedir ao STF a perda definitiva do
cargo. A resolução também prevê um prazo: se o juiz ficar mais de cinco anos
afastado sem voltar ao trabalho, o tribunal deve decidir se ele está apto ou
não a continuar na magistratura.
Balanço
O
presidente do CNJ e do STF, ministro Edson Fachin, apresentou um balanço da
atuação disciplinar do conselho nos últimos dez meses:
"Esse
plenário concluiu o julgamento de 24 processos administrativos disciplinares,
aplicando 11 penas de aposentadorias compulsórias, oito disponibilidades,
quatro censuras e uma advertência. Ainda em sede de revisão disciplinar, foram
aplicadas outras duas penas de aposentadoria compulsória e mais duas de
disponibilidade. Assim, 14 juízes que cometeram faltas gravíssimas foram
afastados dos quadros da magistratura."
Segundo
Fachin, essas punições representam 10% do total de aposentadorias compulsórias
até hoje aplicadas pelo CNJ.
Declaração
de bens e atividades
O
ministro também apresentou ao plenário do conselho uma proposta de resolução
para prevenir conflitos de interesse na magistratura. O texto prevê que juízes
declarem bens e atividades privadas e dá até seis meses para que os tribunais
criem mecanismos de fiscalização. A proposta foi baseada em estudo do
Observatório Nacional de Integridade e Transparência, órgão ligado ao CNJ, e
vale para todos os tribunais do país — com exceção do Supremo Tribunal Federal.
O
relator da nova resolução, conselheiro Ulisses Rabaneda, disse que a proposição
foi discutida com a Associação dos Magistrados Brasileiros antes da votação.
Segundo ele, a nova regra não afeta a independência dos juízes, apenas organiza
os efeitos do afastamento até a decisão final do Supremo. A ideia vai ficar em
debate por 60 dias.
Para
Fachin, essa mudança marca um novo momento na forma como o Judiciário lida com
a responsabilização de seus próprios membros:
"Já
há algum tempo nós estamos refletindo sobre esse tema aqui no Conselho Nacional
de Justiça, sendo certo que nós estamos diante de uma mudança paradigmática, à
luz do estado da arte que a fotografia do momento nos permite retirar."
A
nova regra nasceu de uma consulta ao CNJ feita por um juiz do Tribunal de
Justiça de Goiás aposentado compulsoriamente em 2019; portanto, antes de o STF
acabar com esse tipo de punição. Ele questionava quais regras deveriam valer a
partir de então. A mudança aprovada nesta terça vale para todos os mais de 19
mil juízes em atividade no país.
Por:
Pedro Lacerda/Rádio Nacional
Fonte: Radioagência Nacional

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