As
regiões que concentram a maior parte das pessoas em risco estão na América
Central e no sul da África, mas os impactos também podem alcançar países do
leste africano, além do sul e do sudeste da Ásia.
Entre
os territórios apontados como mais vulneráveis estão Sudão do Sul, Chade,
Mauritânia, Uganda, Mianmar, Guatemala e El Salvador. Nessas localidades, parte
da população já enfrenta situações extremas, como passar longos períodos sem se
alimentar, sofrer perda acentuada de peso ou vender bens para conseguir comprar
comida.
Fenômeno climático altera
chuvas e temperaturas
O El
Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento acima da média das
águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração influencia a circulação
atmosférica e dos ventos e pode modificar os regimes de chuva, seca,
temperaturas e ocorrência de inundações em diferentes partes do planeta.
De
acordo com Humberto Alves Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e
Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas, os
impactos climáticos podem atingir diretamente a produção e a distribuição de
alimentos.
A
redução das colheitas, a elevação dos preços, a queda na renda de produtores
rurais e dificuldades no transporte de mantimentos estão entre os fatores que
podem ampliar a insegurança alimentar. O calor excessivo também pode reduzir a
produtividade agrícola e prejudicar a criação de animais.
Número de pessoas em
insegurança alimentar pode aumentar
Segundo
as Nações Unidas, a quantidade de pessoas em situação de insegurança alimentar
aguda poderá crescer 22% até 2027. O cenário reforça a preocupação
internacional com o avanço da fome e da desnutrição diante de eventos
climáticos extremos.
Para
a ONU, medidas de prevenção são fundamentais para reduzir os impactos sobre as
populações mais vulneráveis. Entre as estratégias apontadas estão o
planejamento antecipado para enfrentar enchentes, secas e tempestades e a
proteção dos meios de subsistência das comunidades afetadas.
Embora os principais
impactos mencionados estejam concentrados em outras regiões do mundo, o cenário
também chama atenção para a relação cada vez mais estreita entre mudanças nos
padrões climáticos, produção de alimentos e segurança alimentar. Para regiões
dependentes da agricultura, alterações significativas no regime de chuvas e
temperaturas podem representar riscos econômicos e sociais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário