Os 13 graus negativos do termômetro fazem qualquer um se esquecer de que está na margem esquerda do Xingu. O rio vira gelo numa fábrica trazida de Seattle (EUA) – são, ao todo, três delas no canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Flocos caem do teto por cinco metros até o chão. Removidos por um rodo automático, seguem por um duto e se juntam com cimento e cascalho provenientes de outra instalação industrial.
Fosse usado o rio em estado líquido na mistura, não se conseguiria concreto de tanta qualidade, duro o suficiente para conduzir o próprio Xingu entre paredes que vão desembocar em 24 turbinas. Domado, o rio vai produzir até 11.233 megawatts (MW), em duas casas de força. Na principal, há 18 turbinas gigantes, que vão gerar 11.000MW. Na menor, a 20km dali, ao lado da barragem, serão mais 233MW.
O Xingu já está semirrepresado, com uma barragem de seis quilômetros de largura. Ela será fechada de vez, com mais um quilômetro, até o fim do ano que vem. Começarão, então, a funcionar algumas das turbinas pequenas, instaladas no sítio Pimental. Para os ambientalistas, será uma derrota. Para os defensores da obra, uma vitória parcial. Belo Monte é um gigante, mas para ser aprovada foi reduzida à metade. O projeto original, dos anos 1980, previa um lago de 1.200km². Com isso, seria possível guardar água suficiente para girar as turbinas também no período de seca. A partir de uma capacidade instalada de 11.000MW, se conseguiriam 9.000MW médios por ano.




