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| Foto: ANSA / Ansa - Brasil |
Em declarações feitas nesta sexta-feira durante um evento
sobre saúde rural na Casa Branca, Trump afirmou: “Posso impor uma tarifa aos
países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia
para a segurança nacional”. O republicano classificou o território ártico como
essencial para os interesses estratégicos dos EUA, destacando sua importância
para a defesa antimísseis — incluindo o projeto de escudo conhecido como “Domo
Dourado” — e para contrabalançar a influência de potências como Rússia e China
na região.
As novas ameaças tarifárias provocaram reação imediata de
aliados europeus. A pedido da Dinamarca, países como Alemanha, França, Reino
Unido, Suécia, Noruega, Finlândia e Países Baixos enviaram
contingentes militares limitados à Groenlândia nos últimos dias. As tropas
participam de missões de reconhecimento e preparam exercícios conjuntos maiores
ao longo de 2026, no âmbito da Operação Arctic Endurance,
reforçando a presença da Otan na região.
Apesar da movimentação europeia, a Casa Branca manteve a
posição inalterada. Porta-vozes do governo reiteraram que a ambição americana
permanece intacta e que o envio de forças aliadas não modifica a determinação
de Washington em avançar com o plano.
A crise expõe fissuras na aliança transatlântica. A
Dinamarca e a Groenlândia têm reafirmado que o território não está
à venda e que qualquer decisão sobre seu futuro cabe
exclusivamente aos groenlandeses e ao reino dinamarquês. Reuniões de alto nível
entre autoridades americanas e dinamarquesas, incluindo encontros recentes com
o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, terminaram sem
avanços concretos, evidenciando um “desacordo fundamental” entre as partes.
Analistas apontam que a escalada retórica de Trump — que
já vinculou tarifas a outras disputas comerciais com aliados europeus — pode
complicar ainda mais as negociações e colocar em xeque a coesão da Otan em um
momento de crescentes tensões no Ártico. Enquanto isso, a população
groenlandesa e líderes locais expressam preocupação com a soberania da ilha e
rejeitam qualquer forma de anexação.

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