Medidas
baseadas nas Seções 301 e 232 afetam comércio bilateral
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| © FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL |
Segundo
a pasta, a sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das exportações
brasileiras para os EUA.
A
medida resulta da combinação de uma tarifa adicional de 25%, anunciada
anteriormente pelo governo do presidente Donald Trump, com uma nova sobretaxa
de 12,5%, divulgada nesta quinta-feira. Quando as duas incidem sobre o mesmo
produto, a alíquota chega a 37,5%.
Entre
os itens atingidos estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira,
gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Quanto será afetado
Segundo
o governo brasileiro, as novas medidas tarifárias alcançam 23,1% das
exportações destinadas aos Estados Unidos.
Distribuição das exportações:
•
52,7% (US$ 21,3 bilhões) permanecem fora das novas sobretaxas;
•
24,2% (US$ 9,8 bilhões) continuam com tarifas setoriais já existentes dos
Estados Unidos (Seção 232);
•
16,5% (US$ 6,6 bilhões) recebem tarifa acumulada de 37,5%;
•
4,7% (US$ 1,9 bilhão) são tributados apenas em 12,5%;
•
1,9% (US$ 800 milhões) pagam somente a sobretaxa de 25%.
Entre
os produtos que seguem sem as novas sobretaxas estão café, carnes, aeronaves,
suco de laranja, frutas, ferro fundido, grande parte da celulose e diversos
produtos químicos.
O que é a Seção 301?
Grande
parte das novas medidas foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio
dos Estados Unidos (Trade Act de 1974).
Esse
dispositivo autoriza o governo norte-americano a investigar práticas comerciais
de outros países consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses dos
Estados Unidos. Caso conclua que há violação ou prática considerada
discriminatória, Washington pode impor medidas de retaliação, como tarifas
adicionais sobre produtos importados.
No caso brasileiro, os Estados Unidos abriram duas investigações com base na Seção 301.
A
primeira é específica contra o Brasil e resultou na sobretaxa adicional de 25%
para determinados produtos brasileiros, embora uma lista de exceções tenha sido
ampliada na decisão final.
A
segunda investigação trata de políticas relacionadas ao combate ao trabalho
forçado nas cadeias globais de suprimentos. Nessa apuração, o governo
norte-americano aplicou tarifas de 10% ou 12,5% aos seus 60 principais
parceiros comerciais. O Brasil ficou entre as 41 economias que receberam a
alíquota de 12,5%.
O que é a Seção 232?
Já a
Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos Estados Unidos (Trade Expansion Act
de 1962) tem um objetivo diferente.
Ela
permite que o governo norte-americano imponha restrições às importações quando
conclui que determinado produto representa risco à segurança nacional. Diferentemente
da Seção 301, que investiga práticas comerciais de países específicos, a Seção
232 normalmente estabelece tarifas para setores inteiros, aplicadas a
praticamente todos os parceiros comerciais.
Foi
esse mecanismo que serviu de base, por exemplo, para as tarifas sobre aço,
alumínio e outros produtos industriais.
Segundo
o Mdic, os produtos sujeitos às tarifas da Seção 232 não acumulam as novas
sobretaxas impostas pela Seção 301.
Como ficam as tarifas
De
acordo com o governo brasileiro, quando um produto está enquadrado nas duas
investigações da Seção 301, as alíquotas se somam.
Na prática:
•
25% da investigação específica sobre o Brasil;
•
12,5% da investigação sobre trabalho forçado;
•
37,5% de tarifa total quando ambas incidem sobre o mesmo produto.
As
medidas passaram a vigorar em julho de 2026, com exceção para mercadorias já
embarcadas antes da entrada em vigor das novas regras e que chegaram aos
Estados Unidos dentro do prazo estabelecido pelo governo norte-americano.
Comércio desacelera
O
endurecimento das tarifas ocorre em meio à perda de ritmo do comércio entre os
dois países.
Após
atingir o recorde de US$ 40,4 bilhões em exportações para os Estados Unidos em
2024, as vendas brasileiras recuaram para US$ 37,7 bilhões em 2025 e
continuaram em queda ao longo de 2026.
No
primeiro semestre deste ano, as exportações brasileiras para o mercado
norte-americano somaram US$ 17,4 bilhões, retração de 13% em comparação com
igual período do ano passado.
Os principais recuos ocorreram em:
•
petróleo bruto (-30,4%);
•
produtos semiacabados de ferro e aço (-21,7%).
Como
consequência, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras
caiu de 12,1% para 9,4% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Na
comparação anual, a fatia norte-americana passou de 12% das exportações
brasileiras em 2024 para 10,8% em 2025.
As
importações brasileiras de produtos dos Estados Unidos também diminuíram no
primeiro semestre, levando a uma retração de 12,8% na corrente de comércio
bilateral.
Cenário
Na
avaliação do Mdic, o aumento das tarifas reforça o ambiente de incerteza no
comércio entre Brasil e Estados Unidos, marcado pela ampliação do uso de
instrumentos tarifários por Washington e por mudanças frequentes nas condições
de acesso ao mercado norte-americano.
Apesar
disso, 52,7% das exportações brasileiras permanecem fora das novas sobretaxas
específicas impostas com base na Seção 301, sujeitas apenas às tarifas
ordinárias de importação dos Estados Unidos.
Por:
Wellton Máximo/Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil

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