Pouco
mais de um mês após chegar à Câmara, os deputados rejeitaram na
noite de ontem (25) o pedido da Procuradoria-Geral da República
(PGR) para investigar o presidente da República, Michel Temer, e os
ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria
Geral). Foram 251 votos contrários à autorização para
investigação, 233 votos favoráveis e duas abstenções. Com isso,
caberá ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, comunicar
agora à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra
Carmén Lúcia, a decisão da Casa. Foram 486 votantes e 25 ausentes.
O
parecer votado hoje foi apresentado pelo deputado Bonifácio de
Andrada (PSDB-MG), que recomendou a inadmissibilidade da
autorização da Câmara para que STF iniciasse as investigações
contra o presidente e os ministros. O parecer já tinha sido aprovado
na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por 39 votos a 26,
além de uma abstenção.
Disputa
pelo quórum
Durante
os últimos dias, a oposição, ciente que não teria os 342 votos
necessários para autorizar as investigações, trabalhou
intensamente para impedir que os deputados comparecessem à sessão.
Isso porque o regimento interno da Casa estabelece que a votação só
poderia ser iniciada com a presença mínima de dois terços dos
deputados em plenário. Com isso, os oposicionistas pretendiam adiar
a votação e, assim, prolongar o desgaste do governo. Os partidos de
oposição chegaram a fechar acordo para que poucos deputados usassem
a palavra e com isso não se alcançasse o quórum necessário para
iniciar a sessão.
Reagindo
à tática da oposição, a base aliada e o próprio presidente da
República passaram a acionar deputados da base, mesmo os que
votariam contra o governo, para marcarem presença na sessão. Os
governistas estavam confiantes de que alcançariam o número mínimo
de presentes e também os 172 votos necessários para impedir o
início da investigação.
Início
da sessão
A
sessão destinada à apreciação do parecer de Andrada teve início
por volta das 9h, quando falaram o relator e os advogados de
defesa dos três acusados. Em seguida, menos de 20
oposicionistas fizeram o uso da palavra defendendo a rejeição do
relatório e, com isso, o debate foi dominado pelos aliados do
governo.
Na
primeira sessão do dia da Câmara, apenas 332 deputados marcaram
presença, número insuficiente para iniciar a votação. A oposição
comemorou o feito no Salão Verde, estampando faixas e cartazes
pedindo a saída de Temer. O líder da minoria, deputado Jose
Guimarães (PT-CE), parabenizou os colegas da oposição que não
registraram presença no plenário.













