Uma rápida consulta ao dicionário nos revela o caráter ou a qualidade do pioneiro, do precursor – aquele que se antecipa na adoção ou defesa de novas ideias ou doutrinas. Esta capacidade de inovar e criar soluções para seus membros, econômicas ou sociais, é uma das marcas históricas do cooperativismo. Pois é justamente essa marca que está presente na Cooperativa Brasileira de Energia Renovável, a primeira do Brasil nesse setor.
A Coober, inaugurada em 5 de agosto passado, nasceu pouco antes, precisamente no dia 24 de fevereiro de 2016, com a realização da Assembleia de Constituição e o lançamento da pedra fundamental de suas instalações em Paragominas, no Pará, a cerca de 300 quilômetros da capital, Belém. Objetivo: aproveitar o Sol para produzir energia limpa e de forma consciente, por meio de placas fotovoltaicas, em um município que já ganhou fama e visibilidade como “município verde”. Seus 23 membros, com idade média de 41 anos, chamados de sócios-fundadores, são empresários, empreendedores e profissionais liberais. A iniciativa ganhou simpatizantes em todos os setores, atraiu a atenção de estudantes da região e ganhou o apoio da Prefeitura de Paragominas e do governo do Pará, além de entidades como a Confederação Alemã das Cooperativas (DGRV). De acordo com informações de Raphael Sampaio Vale, presidente da Coober, em artigo publicado no site Paranoá Energia, a fundação ocorreu sintonizada com a entrada em vigor, em 1º de março, da Resolução 687/2015 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que aprimorou a Resolução Normativa 482, de 2012, possibilitando a geração compartilhada de energia renovável.
“Se fôssemos produtores individuais, iríamos investir muito mais e ter mais trabalho, além de ter de lidar com diversas questões burocráticas e tributárias. Na Coober, são 23 pessoas que produzirão e consumirão a própria energia gerada, transformando cada um em “prosumidor” (termo empregado para designar as pessoas que produzem e consomem seus produtos)”, afirma Raphael. “Todos nós temos sido consultados por pessoas de outras partes do país, que perguntam a razão pela qual nos lançamos nessa empreitada. A resposta é simples: queremos gerar a própria energia elétrica que consumimos”, enfatiza o advogado Raphael. “Nosso maior desafio é o pioneirismo da união de dois universos no Brasil: o cooperativismo e a produção de energia renovável. Nossa inspiração têm sido as cooperativas de energia renovável de outros países, em especial da Alemanha, que conta com mais de 700 cooperativas de energia instaladas”.





















