A Associação Paraense de Supermercados (Aspas) confirmou ontem o aumento
no preço do pescado, que, segundo presidente da entidade, José Oliveira,
precisou ser repassado ao consumidor, no período que antecede a Semana Santa.
“Não sei o que está acontecendo, mas durante o ano, o pescado vem aumentando
consideravelmente”, ressaltou. Nessa época, como a procura cresce muito e a
oferta não acompanha o ritmo, o reajuste fica ainda mais acentuado e o peixe já
chega mais caro aos estabelecimentos comerciais, que repassam o reajuste ao
consumidor. “Os custos subiram muito e as margens de lucro dimuíram”, disse o
presidente da Aspas.
José Oliveira disse esperar que os decretos assinados pelo Governo do
Estado e pela Prefeitura de Belém, nessa época, para garantir o abastecimento
de pescado aos consumidores paraenses, sejam realmente respeitados e cumpridos,
para que os preços não subam ainda mais.
Nos supermercados, a cerca de quinze dias da Semana Santa, os
consumidores já sentem uma grande diferença nos preços de um dos alimentos mais
consumidos nessa época. A diferença, segundo alguns, pode ser percebida
principalmente no valor da pescada amarela. Em dois estabelecimentos visitados
por O LIBERAL, o produto foi encontrado por preços que variavam de R$ 23,30
(inteira) a R$ 37,90 (sem cabeça). Quem tem o costume de consumir peixe, sente
no bolso a diferença. “O preço está alto, principalmente da pescada amarela. Eu
comprava a R$ 22 ou R$ 26.
Agora já está mais de trinta”, declarou José Noronha
de Aquino, refrigerista de 63 anos. Para ele, o reajuste tem alguns motivos. “É
por causa da Semana Santa e da inflação. Está tudo muito mais caro, sem
controle. De novembro pra cá, aumentou muito”, avaliou.
Almira Monteiro, doméstica de 28 anos, ficou assustada com os preços.
“Fiquei uns dias sem comprar e, agora que eu vim atrás notei a diferença. Nem
vou comprar mais”, afirmou. Para ela, além da pescada amarela, o aumento também
foi expressivo no preço da dourada, que ela comprava a R$ 12 em um
estabelecimento e agora encontrou a R$ 15,20 no mesmo local. “A gente vai ter
que substituir. Acho que foi por causa da Semana Santa. O pessoal fala que é por
causa da crise, mas sempre na Semana Santa isso acontece”, garantiu.
Segundo o supervisor técnico do Departamento Intersindical de
Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, Roberto Sena, o peixe é vendido nos
supermercados geralmente sem cabeça, em posta e filetado, por isso difere do
vendido nos mercados. Nos dois casos, porém, o preço do pescado teve reajuste,
observou. Na maioria dos casos, o aumento, em comparação ao mesmo período do
ano passado, ficou acima da inflação, que foi de cerca de 11%. “A nossa
alimentação já é cara, uma das mais caras do País, e quando chega em novembro,
até a Semana Santa, o preço vai subindo, subindo e só não dispara mais por
causa de algumas medidas que são tomadas”, declarou Sena.
Ele citou, como medidas para evitar um aumento ainda maior do preço do
pescado e garantir o abastecimento do Estado para a Semana Santa, os decretos –
tanto estadual quando municipal – que proíbem a saída do pescado paraense para
exportação nessa época. Para Sena, porém, apesar dos decretos serem de extrema
importância, ainda é necessário uma política voltada ao pescado. “Estamos entre
os maiores produtores de peixe do Brasil, mas grande parte do nosso pescado é
exportado e o que fica acaba ficando muito caro”, enfatizou.
Ainda essa semana, o Dieese deve divulgar um balanço sobre o preço do
pescado no Estado.
ORM News

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