quarta-feira, 17 de outubro de 2018

MÃES ENTREGAM OS PRÓPRIOS FILHOS NA VENEZUELA

A fome no país tem criado situações drásticas no país vizinho
"Eu expliquei aos meus filhos que não queria abandoná-los", disse uma mulher ao site BBC News. "Mas não tenho como sustentá-los."
Ivan Duarte (O Liberal) / Marcelo Camargo (Agência Brasil)
Esse é o drama de muitas mães em um país rico em petróleo e que há alguns anos era poderoso economicamente e distribuía empréstimos, apesar de nunca ter vencido o problema da concentração de renda, por mais que tenha reduzido no período chavista.
Após o período de Hugo Chávez no poder (de 1999 a 2013, quando morreu), Nicolás Maduro o substituiu ao vencer eleição realizada no mesmo ano. O sucessor aplicou duras medidas econômicas que levaram o país a escassez de alimentos, hiperinflação e colapso dos serviços públicos. Se Cháves possuía mais visão e habilidade política, Maduro parece não conseguir nem manter, sem restrições, aliados históricos ao seu lado.
O país tem 17,5% de todo o petróleo mundial. É o maior produtor de óleo cru. Mas não é simples analisar por que a Venezuela está nessa situação. A resposta é múltipla. Há aspectos históricos de concentração de renda e dedicação somente à indústria do petróleo – em uma época das oligarquias alinhadas aos interesses de Washington -, há incompetência do governo atual, queda no valor da commodity, embargo internacional...
Ivan Duarte (O Liberal) / Marcelo Camargo (Agência Brasil)
Não é só em Pacaraima, em Roraima, onde famílias vagam pelas ruas e ficam expostas à caridade das pessoas e à assistência do governo. Em Belém é comum também ver famílias empobrecidas, geralmente mulheres com duas ou três crianças, nos sinais de trânsito, pedindo esmola. Também na Venezuela muitos pais abandonaram as famílias à própria sorte. E muitas delas vieram ao Brasil.
A situação é tão dramática, que as mulheres ainda grávidas decidem entregar o filho na Venezuela.
Dados oficiais mostram que 87% da população está em situação de pobreza, contra 48% em 2014. A taxa de inflação, em torno de 1.000.000% (projeção do FMI) até o final do ano, deteriora ainda mais a situação. Se a inflação no Brasil chegou a atingir 5.000% ao ano, de julho de 1993 a junho de 1994, imagine viver em um índice 200 vezes maior.
Cada vez mais crianças têm ido parar nas ruas e mulheres entregam os filhos às autoridades ou a famílias com posses. Uma história que impacta muito além do país que luta contra oligarquias internas, interesses externos e incompetência dos seus governantes.
Se o Brasil tem seus problemas, não será por isso que deverá fechar os olhos para a situação dos imigrantes. Pode-se condenar o governo venezuelano, mas não os seus habitantes.
Por: Halmilton Braga
Fonte: PortalORM

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