sábado, 22 de julho de 2017

ÍNDIOS DEIXAM CANTEIRO DE OBRAS DA HIDRELÉTRICA

Munduruku queriam a devolução de urnas funerárias de antepassados
Foto: Marcello Casal Jr./ABR
Um grupo de indígenas que ocupava o canteiro de obras da hidrelétrica São Manoel, no município de Jacareacanga, no sudeste do Pará, abandonou, na madrugada de ontem, o local após uma longa reunião com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Franklimberg de Freitas. A informação foi confirmada pelo órgão, em nota divulgada no site. “As reivindicações dos indígenas foram recebidas, discutidas e encaminhadas para as devidas providências. Eles retornaram para as suas casas, e não estão mais ocupando a UHE”, diz o comunicado.
O protesto dos índios Munduruku, iniciado no final de semana, chegou a paralisar a construção da usina, que está na reta final, com previsão de início da operação ainda em outubro deste ano. Os mais de 200 integrantes da etnia apresentaram no protesto exigências relacionadas ao empreendimento no rio Teles Pires, como a devolução de urnas funerárias consideradas sagradas pelos índios e que teriam desaparecido em meio às obras, além de reivindicações mais amplas, como a demarcação de uma terra indígena no Pará, a Sawré Muybu.
A principal solicitação dos Munduruku, em relação à retirada das urnas funerárias do local, foi atendida. O empreendedor levou todos os indígenas à Alta Floresta, para que os pajés possam fazer seus rituais, e será definido pelos próprios Munduruku o local onde elas serão devolvidas e enterradas”, disse Franklimberg.
A hidrelétrica São Manoel, orçada em cerca de R$ 3 bilhões, é um investimento conjunto entre a estatal federal Eletrobras, a chinesa China Three Gorges e a EDP Energias do Brasil, do grupo EDP Energias de Portugal. A usina e outros projetos na região têm enfrentado oposição de indígenas e ambientalistas há tempos, uma vez que os empreendimentos estão na região da chamada corredeira das Sete Quedas do rio Teles Pires, um local sagrado para os índios que foi inundado pelo lago das hidrelétricas.
A usina de São Manoel já havia sido alvo de uma ação de protesto dos índios ainda durante os preparativos para a licitação de sua concessão, em 2011. Na época, funcionários da Funai e da EPE chegaram a ser mantidos como reféns por indígenas das etnias Munduruku e Kayabi.

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